A CAASC nos anos 80 – entrevista com Waltoir Menegotto

Wed Jun 06 00:00:00 BRT 2018

Relato do nosso Diretor Financeiro na gestão 1985-1987

Advogado formado pela Univali em 1978 e inscrito na OAB sob Nº 3.058, Waltoir Menegotto ingressou na Caixa de Assistência dos Advogados de Santa Catarina como Diretor Financeiro na gestão da então presidente Solange Pirajá Martins. Nesta entrevista, ele conta um pouco da CAASC nos anos 80

Quando ingressou na CAASC em que função?
Fui indicado para Diretor Financeiro da CAASC pelo Dr. Sadi Lima e levado pelas mãos da Dra. Solange Pirajá Martins, então, eleita presidente da CAASC em 1985 até 1987.

Lembra quantos funcionários efetivos haviam?
Entre funcionários burocráticos e administradores, médicos e dentistas não havia mais do que dez.

Qual a sua mais antiga memória nos primeiros anos na CAASC?
Em 1985, não haviam mais do que 6.000 (seis mil) advogados no Estado de Santa Catarina, e eram em torno de 8 (oito) subseções, sendo as principais a sede Florianópolis, e as subseções de Joinville, Blumenau, Lages, Itajaí e Joaçaba.

Fazendo um paralelo entre a Caixa de anos atrás e hoje, o que permanece e o que mudou mais drasticamente?
Na época em que fizemos parte da diretoria da CAASC (1985 a 1987) o que se pode registrar era o forte interesse de todas as subseções e a manifestação dos advogados do interior no sentido de que a CAASC se fizesse presente nas comarcas e nas subseções, prestando os serviços médicos e odontológicos para os advogados e suas famílias. Os serviços da Caixa eram realmente disputados. Na época não havia os convênios com cooperativas médicas e odontológicas para atender o público em contratos particulares ou coletivos como a UNIMED, que presta serviços aos advogados. Lembro que membros da diretoria da CAASC repetidamente se deslocavam ao interior do estado para prestar esclarecimentos dos serviços oferecidos pela Caixa, como fazia a presidente Solange Pirajá Martins e eu mesmo acompanhando-a em inúmeras ocasiões.    

Qual a sua lembrança mais remota da CAASC?
Os valores para o sustento e a política de oferecer os serviços médicos e odontológicos aos advogados e seus familiares eram provenientes da Receita da OAB/SC, das mensalidades pagas pelos advogados e outras receitas da entidade, e repassada uma parte destes valores para a CAASC. Entretanto, por vezes a OAB atrasava estes repasses, e assim, funcionários, médicos e dentistas tinham sua remuneração paga com atraso.

Numa certa ocasião, quando presidente da OAB o saudoso advogado Dr. Evilásio Neri Caon, houve atraso na liberação das parcelas da Caixa. Os médicos, dentistas e funcionários que estavam sem receber, se municiaram de faixas e cartazes exigindo os repasses dos valores das parcelas devidas à Caixa pela OAB. Eles se plantaram dentro da sala do pleno do Conselho Estadual no momento da reunião daquele colegiado, que funcionava no prédio da esquina com a Rua Anita Garibaldi no centro de Florianópolis. Lembro que nós, da diretoria da Caixa, também apoiávamos aquele movimento. O Presidente da OAB Dr. Evilásio Nery Caon não gostou daquela manifestação e exigiu que todos se retirassem do recinto, após um bate-boca próprio destas reivindicações democráticas.

Do seu ponto de vista, qual a missão da CAASC que ainda não foi cumprida?
Bem, a Caixa vem cumprindo a tarefa de atender a saúde dos advogados e de seus familiares de forma coletiva, administrando os convênios celebrados com todas as áreas médicas, odontológicas,  farmacêuticas e outras afins. Hoje não mais existe aquele pequeno número de advogados de 1985, hoje passam dos 50.000 (cinquenta mil), portanto, métodos de administração devem ser modernos e rápidos, não somente nas questões da saúde do profissional, mas também na facilitação de trabalhos de apoio profissional como vem fazendo.
 
Como o Sr. avalia o desenvolvimento da CAASC nas últimas décadas?
A CAASC vem cumprindo aquilo que se propôs, no entanto, penso que as salas instaladas pela OAB/SC nos fóruns das comarcas, na Justiça Federal, Tribunal Eleitoral, Varas Trabalhistas, nos Tribunais Superiores deveriam ser da responsabilidade da CAASC, sua manutenção, conservação e administração.

Também, deveria ser da competência da CAASC, toda coordenação do esporte incentivado aos advogados em todas as subseções e na sede da Caixa, pois visa o bem-estar, a recreação e a saúde.
A Assistência ao lazer deveria ser ampliada entregando-se à CAASC a administração da Sede Balneária da Ordem na Cachoeira do Bom Jesus em Florianópolis, estruturando-a de forma e condições que pudesse realmente oferecer condições e uso, desfrute e prazer aos seus visitantes.